segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Olhar o mundo…

Parei na beira do caminho e fiquei a olhar a paisagem, já caminhava há algum tempo, a povoação tinha ficado para trás, o trilho íngreme atravessara um pequeno bosque e agora estava numa pequena clareira entre o arvoredo, dali podia ver a encosta e parte do vale que se estendia para alem da povoação. Era meio da tarde e ainda me faltava muito para atingir o objectivo a que me havia proposto. Sorri com a beleza que me era oferecida e continuei o caminho.
Tinha escolhido aquele trilho não por ser fácil, mas por ser um pouco mais curto, e eu queria chegar a tempo, já esperava que não fosse fácil, mas estava a ser mais difícil do que eu pensara. Respirei fundo e alarguei o passo, a tarde avançava e eu tinha de chegar…
Ao longo do trilho alguns ramos mais secos deixam marcas na pele, pequenos fios vermelhos assinalam a sua passagem, nada que me faça reduzir a marcha, o tempo urge, não dá mais para parar.
Olho para diante, e vejo o cume, parece tão perto, mas tantos são os obstáculos que me dificultam alcança-lo, mais um esforço…
Mais uma paragem para recuperar a respiração, para beber um pouco de água, desta vez nem olho para trás, só o que está pela frente me interessa, tenho de chegar a tempo…
De novo em marcha, cada vez mais perto, e eis que avisto o cume, desta vez bem perto mesmo ali na minha frente, um sorriso se forma no meu rosto, falta pouco vou conseguir…
Ali já não havia arvores, só grandes pedras, dali podia avistar não só a encosta e o vale mas todo o horizonte, até onde a vista alcança…
Procurei uma pedra onde me sentar, de onde pudesse olhar, e fiquei esperando…
Em poucos minutos o sol aproximou-se do horizonte, grande, vermelho, pintando tudo de uma cor quente, envolvente, fazendo esquecer tudo resto, valendo todo o esforço, lindo…
Visto dali o mundo é belo, lindo mesmo.
Fico olhando até o sol desaparecer por completo e deixar o meu coração mais quente, a minha alma mais cheia.
Chegada a hora de descer penso como seria bom voltar no dia seguinte, mas as pernas não iriam aguentar nova subida já no dia seguinte, poderia vir de carro, pois havia uma vereda ali bem perto, não, não seria a mesma coisa, não teria o mesmo sabor doce, aquele sabor que tem tudo o que necessita de esforço para ser alcançado.
Vou ter de reter aquela imagem na minha memória, e será ela que me fará sorrir nas manhãs de chuva, será aquela imagem que fará com que eu reúna forças para voltar a subir o trilho, talvez não o mesmo, mas um trilho que me permita ter outro ponto de vista deste mundo, e que me ajude a encontrar nele bons motivos para sorrir.

Pedro Bernardo
06 Fevereiro 2012

1 comentário:

Elisabete Rabello Machado Brandão disse...

Que você sempre consiga encontrar estes bons motivos para sorrir! Lindo, querido!